SolarWinds Orion API is vulnerable to an authentication bypass that could allow a remote attacker to execute API commands
Corrija agora. Ela está sob exploração confirmada pelo CISA e tem exploit funcional público.
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Resumo
A API do SolarWinds Orion Platform permite contornar completamente a autenticação ao anexar parâmetros específicos ao componente PathInfo da URL, fazendo o servidor tratar a requisição como já autorizada. É essa falha — não a SUNBURST — que foi usada para instalar o webshell SUPERNOVA em instâlações Orion expostas. Importa porque não exige credenciais, é explorável remotamente sem interação do usuário e está confirmada em exploração ativa (KEV da CISA).
Detalhamento técnico
O CERT/CC descreve o mecanismo com precisão: se um atacante anexa ao caminho da requisição um parâmetro PathInfo como WebResource.axd, ScriptResource.axd, i18n.ashx ou Skipi18n, o código da API do Orion pode setar internamente a flag SkipAuthorization, e a requisição é processada sem checagem de autenticação. É uma falha de controle de acesso na camada de roteamento HTTP da API — classificada como CWE-288 (Authentication Bypass Using an Alternate Path or Channel) pela CISA. O atacante controla o path da requisição HTTP; não precisa de token, sessão ou cookie válido.
A descrição oficial da CVE, herdada do texto do fornecedor sobre SUNBURST, lista como afetadas as versões 2019.4 HF 5, 2020.2 sem hotfix e 2020.2 HF 1. Isso é enganoso para quem lê rápido: essas são as versões comprometidas pelo backdoor de cadeia de suprimentos SUNBURST, um ataque totalmente diferente. A falha de auth bypass em si (CVE-2020-10148) é um bug de lógica na API do Orion Core, e o próprio CERT/CC recomenda patches para ramos mais antigos — 2018.2, 2018.4 e 2019.2 — via os chamados 'SUPERNOVA Patch', o que indica que a superfície vulnerável ao bypass é mais ampla que as três versões citadas na descrição formal da CVE.
O impacto prático documentado é a instalação do SUPERNOVA: um webshell não assinado (app_web_logoimagehandler.ashx.b6031896.dll) escrito especificamente para rodar dentro do processo do Orion, disfarçado de componente legítimo do produto. Diferente do SUNBURST, o SUPERNOVA não estava embutido no build oficial — ele foi implantado depois, contra instâncias Orion já expostas, explorando justamente esse bypass de autenticação na API.
Como é explorada
O vetor é rede: qualquer atacante com acesso HTTP/HTTPS à interface web ou à API do Orion pode tentar o bypass sem possuir credenciais válidas — coerente com o vetor CVSS (AV:N/AC:L/PR:N/UI:N). Não há indicação nas fontes de que seja necessária configuração não padrão; o problema está no roteamento padrão da API. A complexidade de exploração é baixa: basta manipular o path da requisição para acionar a flag SkipAuthorization e então chamar endpoints da API do Orion que normalmente exigiriam autenticação.
Na prática documentada, esse bypass foi o meio usado para depositar o webshell SUPERNOVA em servidores Orion comprometidos — um ataque pós-exploração distinto do backdoor de cadeia de suprimentos SUNBURST, embora as duas campanhas tenham sido descobertas na mesma janela de tempo e frequentemente sejam confundidas. Uma vez autenticado indevidamente contra a API, o atacante pode executar comandos administrativos da plataforma, incluindo os necessários para gravar arquivos no servidor via as capacidades legítimas do Orion, resultando em execução de código no host.
A CVE está no catálogo KEV da CISA (adicionada em 2021-11-03), confirmando exploração real, e existem PoC pública e template Nuclei, o que baixa a barreira para varredura em massa. O EPSS de ~0,92 reflete probabilidade muito alta de tentativa de exploração observada no ecossistema.
Versões
Como se proteger
A correção é atualizar o Orion Platform. O CERT/CC lista os hotfixes/patches por ramo: 2019.4 HF 6 (14/12/2020), 2020.2.1 HF 2 (15/12/2020), e os 'SUPERNOVA Patch' para 2019.2, 2018.4 e 2018.2 (todos lançados em 23/12/2020). Consulte o advisory oficial da SolarWinds para confirmar a versão exata aplicável ao seu ramo antes de aplicar, pois a numeração de hotfixes do Orion é granular por produto componente.
Quando a atualização imediata não é viável, o CERT/CC recomenda hardening do servidor IIS que hospeda o Orion como paliativo — sem detalhar a configuração exata na fonte consultada; a SolarWinds publicou um pacote de mitigação específico (SupernovaMitigation.zip) referenciado pelo CERT/CC, que deve ser a referência primária para quem precisa de controle compensatório antes do patch completo. Restringir o acesso de rede à interface web/API do Orion a hosts de gerência confiáveis reduz a superfície de exploração, mas não elimina a falha caso o atacante já tenha esse acesso.
O mito a descartar: aplicar apenas a correção do SUNBURST (revogação de certificado, rebuild assinado) não corrige este bug de auth bypass — são duas vulnerabilidades distintas tratadas na mesma janela de resposta a incidente. É necessário o hotfix específico do Orion Core que corrige o tratamento de PathInfo/SkipAuthorization.
Como detectar
Procure em logs de acesso do IIS/Orion por requisições cujo path contenha os parâmetros PathInfo WebResource.axd, ScriptResource.axd, i18n.ashx ou Skipi18n anexados fora do padrão normal de uso desses recursos estáticos, especialmente combinados com chamadas subsequentes a endpoints da API que deveriam exigir sessão autenticada. A presença do arquivo app_web_logoimagehandler.ashx.b6031896.dll (ou variantes) no servidor Orion é um indicador direto e confiável de comprometimento pelo webshell SUPERNOVA, resultado da exploração desta falha.
O CERT/CC disponibilizou um script Python3 (swcheck.py) para verificar se um servidor Orion está vulnerável, referenciado no VU#843464 — útil para varredura defensiva de ambientes próprios, não para produção de evidência forense retroativa.