← voltar
CVE-2024-41710mediumsob ataqueCWE-88

CVE-2024-41710

55Vexday Risk Score

Priorize a correção. Ela está sob exploração confirmada pelo CISA.

ssvc Attendcvss 6.8epss 42%
da publicação à arma
Publicada no NVD12 de ago.
CISA KEV+184d
probabilidade de exploração
42%top 1% das CVEs
exploração observada
simCISA + VulnCheck
Ação exigida pela CISAprazo federal: 2025-03-05

Apply mitigations per vendor instructions or discontinue use of the product if mitigations are unavailable.

Resumo

Falha de argument injection (CWE-88) no processo de boot dos telefones SIP Mitel 6800, 6900 e 6900w, incluindo a unidade de conferência 6970. Um atacante com privilégio administrativo consegue injetar comandos que serão executados durante a inicialização do aparelho, obtendo execução arbitrária no contexto do sistema. Está na lista KEV da CISA por exploração confirmada, mas o pré-requisito de acesso administrativo autenticado limita bastante o universo de exploração oportunista.

Detalhamento técnico

A vulnerabilidade está na forma como o firmware sanitiza parâmetros que acabam persistidos no arquivo de configuração local do dispositivo (/nvdata/etc/local.cfg) e depois reconsumidos durante o boot. Pesquisa técnica publicada (Kyle Burns, PacketLabs) demonstrou o mecanismo usando o endpoint de configuração '802.1x Support' (8021xsupport.html) e o parâmetro 802.1x+identity: o valor enviado por POST não é filtrado corretamente contra sequências que a aplicação web (linemgrSip) interpreta como terminador de linha. O byte %dt é reinterpretado como %0d, permitindo 'quebrar' a linha de configuração original e injetar uma entrada nova no arquivo.

Durante o boot, entradas de posição mais alta sobrescrevem as anteriores no local.cfg, e o campo hostname foi o vetor demonstrado, por ser consumido pelo processo udhcpc na inicialização de rede. Ao injetar uma entrada 'hostname:' contendo argumentos extras (como opções do udhcpc encadeadas com um comando shell via ponto-e-vírgula), o atacante consegue fazer com que o script de startup do DHCP execute comandos arbitrários com os privilégios do processo de boot.

O CWE associado é argument injection (CWE-88): o problema não é injeção de comando clássica em um único campo livre, mas a possibilidade de controlar argumentos passados a um binário/script legítimo (udhcpc) por meio de um parâmetro que devia conter apenas um identificador. A CVSS oficial (PR:H, AC:L, UI:N) reflete que a exploração exige que o atacante já tenha sessão administrativa válida no dispositivo — não é uma falha explorável por qualquer usuário de rede sem credenciais.

Como é explorada

O vetor documentado é uma requisição HTTP POST autenticada como administrador para a página de configuração 802.1x do telefone, manipulando o parâmetro 802.1x+identity com a sequência de bytes que a aplicação interpreta como quebra de linha, seguida do payload que sobrescreve o campo hostname no arquivo de configuração. A execução do comando não é imediata: ela só ocorre no próximo boot/reboot do aparelho, quando o local.cfg é lido e o hostname malicioso é passado ao script de inicialização do udhcpc.

Pré-requisito real: acesso administrativo autenticado à interface de gerenciamento do telefone (AV:A no vetor CVSS sugere adjacência de rede, condizente com a interface web de administração normalmente restrita à rede de voz/gerência). Isso já reduz o risco em ambientes onde a interface de administração dos telefones não está exposta a segmentos não confiáveis ou onde as credenciais padrão foram alteradas. O impacto final, uma vez explorado, é execução de comandos arbitrários no contexto do sistema do telefone — potencialmente usado para persistência, pivotagem na rede de voz ou interceptação de chamadas.

A entrada no catálogo KEV da CISA (adicionada em 2025-02-12, com prazo de correção até 2025-03-05) confirma exploração ativa observada, embora a CISA não detalhe campanhas específicas nem associe a ransomware. A combinação de CVSS moderado (6.8) com presença no KEV é o padrão clássico de falha que parece 'não crítica' pelo score, mas que atacantes usam na prática — provavelmente encadeada com outra vulnerabilidade que forneça as credenciais administrativas necessárias.

Versões

Afetadas
Mitel 6800 Series, 6900 Series e 6900w Series SIP Phones, incluindo a unidade de conferência 6970: R6.4.0.HF1 (R6.4.0.136) e versões anteriores. Testes de prova de conceito também confirmaram a falha na versão 6.3.0.1020.
Corrigidas em
O advisory do fornecedor (24-0019) recomenda atualizar para a versão de firmware mais recente disponível, sem indicar o número específico da versão corrigida nas informações publicamente disponíveis consultadas.

Como se proteger

O fornecedor recomenda atualizar para a versão de firmware mais recente disponível para os aparelhos afetados; o advisory 24-0019 não especifica o número exato da versão corrigida nas informações publicadas, apenas orienta contatar o suporte Mitel para obter a versão atualizada. Não há, nas fontes disponíveis, uma versão fixa nomeada explicitamente (ex.: 'corrigido em R6.4.1') — trate a ausência dessa informação como lacuna a confirmar diretamente com o fornecedor antes de declarar o parque corrigido.

Como controle compensatório enquanto a atualização não é aplicada: restringir o acesso à interface administrativa web dos telefones apenas a hosts de gerência confiáveis (segmentação de rede/VLAN de voz), desabilitar ou proteger fortemente as credenciais de administração, e monitorar/alertar sobre reinicializações não programadas dos aparelhos. A CISA, no KEV, orienta aplicar as mitigações do fornecedor ou descontinuar o uso do produto caso não haja mitigação disponível — postura que reflete a seriedade da exploração confirmada, mesmo com pré-requisito de autenticação.

Não funciona como mitigação apenas trocar a senha padrão sem também restringir a exposição de rede da interface de gerenciamento: como o ataque documentado usa uma sessão administrativa já autenticada, qualquer cenário onde credenciais administrativas sejam comprometidas por outra via (phishing, reuso de senha, outra CVE) recoloca o dispositivo em risco até o firmware ser efetivamente atualizado.

Como detectar

Nos logs da interface web de administração dos telefones, procurar por requisições POST para o endpoint de configuração 802.1x (8021xsupport.html) contendo, no parâmetro de identidade, sequências de caracteres não usuais como '%dt' repetido ou referências ao campo 'hostname' seguido de comandos/argumentos de linha de comando (ex.: opções típicas do udhcpc combinadas com pipe para shell). No próprio dispositivo, alterações inesperadas no arquivo /nvdata/etc/local.cfg — especialmente na entrada de hostname — e reinicializações não programadas seguidas de tráfego DHCP anômalo do processo udhcpc são sinais de possível exploração pós-injeção.

Como a execução do comando só ocorre no boot seguinte à injeção, não há sinal de tráfego de rede único e imediato que indique compromisso — é necessário correlacionar a requisição administrativa suspeita com o comportamento do aparelho após o próximo reboot. Ambientes sem log central da interface de administração dos telefones dificilmente terão visibilidade retroativa confiável desse ataque.

Pesquisado e redigido com IA a partir do advisory do fornecedor e de análises públicas, com as fontes acima. Confira sempre a versão corrigida no advisory oficial antes de agir.
A vulnerability in the Mitel 6800 Series, 6900 Series, and 6900w Series SIP Phones, including the 6970 Conference Unit, through R6.4.0.HF1 (R6.4.0.136) could allow an authenticated attacker with administrative privilege to conduct an argument injection attack, due to insufficient parameter sanitization during the boot process. A successful exploit could allow an attacker to execute arbitrary commands within the context of the system.
CVSS:3.1/AV:A/AC:L/PR:H/UI:N/S:U/C:H/I:H/A:H
Produtos afetados
n/a · n/a