CVE-2025-27920
Priorize a correção. Ela está sob exploração confirmada pelo CISA.
Apply mitigations per vendor instructions, follow applicable BOD 22-01 guidance for cloud services, or discontinue use of the product if mitigations are unavailable.
Resumo
Path traversal na aplicação Server Manager do Output Messenger (Srimax) permite que um usuário autenticado grave arquivos fora do diretório de upload pretendido, incluindo a pasta de Startup do Windows — abrindo caminho para persistência e execução de código, não apenas leitura de configuração. A CVE está no catálogo KEV da CISA porque foi usada como zero-day por um ator de espionagem (Marbled Dust/Sea Turtle) contra organizações associadas aos curdos no Iraque, entre abril de 2024 e o patch.
Detalhamento técnico
A falha (CWE-22, path traversal) está no recurso de upload de arquivos do Server Manager do Output Messenger, habilitado pela opção "output drive", que permite a qualquer usuário autenticado enviar e baixar arquivos do servidor. Por padrão, os arquivos enviados são gravados em C:\Program Files\Output Messenger Server\OfflineMessages\Temp\1\File. O endpoint de upload não sanitiza o parâmetro "name" da requisição: sequências ../ nesse campo permitem que o atacante escape do diretório de destino e escreva em qualquer caminho acessível ao processo do servidor.
Na exploração documentada pela Microsoft, o atacante substituiu o valor de "name" por uma cadeia de traversal apontando para a pasta de inicialização do Windows (ProgramData\Microsoft\Windows\Start Menu\Programs\StartUp), depositando um script malicioso (OMServerService.vbs) que é executado automaticamente na reinicialização do servidor. Ou seja: o que a descrição oficial trata como "configuration leakage or arbitrary file access" na prática permite escrita arbitrária de arquivo, com caminho direto para execução de código no host do servidor.
O vetor CVSS publicado (AV:N/AC:L/PR:N/UI:N) sugere ausência de autenticação, mas a análise técnica da Microsoft descreve explicitamente o pré-requisito de um "authenticated user" com acesso à aplicação Server Manager — divergência relevante entre a pontuação de severidade e o mecanismo real de exploração descrito pelos pesquisadores que encontraram a falha.
Como é explorada
Pré-requisito real: o atacante precisa ter uma conta autenticada no Output Messenger e o recurso de "output drive" (upload para o servidor) precisa estar habilitado pelo administrador — não é uma falha pré-autenticação livre, apesar do PR:N no vetor CVSS. A partir daí a exploração é de baixa complexidade: basta manipular o campo de nome do arquivo na requisição de upload com sequências ../ para direcionar a gravação a um caminho arbitrário no sistema de arquivos do servidor.
O ator rastreado pela Microsoft como Marbled Dust (também conhecido como Sea Turtle e UNC1326, ligado a interesses turcos) exploitou essa falha como zero-day desde abril de 2024 — antes da existência de patch — contra alvos no Iraque associados a operações militares curdas. A cadeia observada começa com acesso autenticado ao Server Manager (consistente com o histórico do grupo de roubo de credenciais via sequestro de infraestrutura DNS), seguido do upload do arquivo malicioso via traversal para a pasta de Startup, garantindo persistência e execução na reinicialização do servidor.
Uma vez com esse acesso, o atacante herda a posição central do servidor na arquitetura do Output Messenger: pode interceptar e coletar comunicações de todos os usuários, exfiltrar dados e se passar por usuários legítimos — impacto que vai muito além de "leitura de arquivo de configuração". A Microsoft também identificou uma segunda falha correlata (CVE-2025-27921), corrigida no mesmo ciclo, mas sem evidência de exploração ativa.
Versões
Como se proteger
Atualizar para Output Messenger V2.0.63 ou posterior, que corrige o path traversal no upload do Server Manager. Esta é a única correção definitiva confirmada pelo fornecedor.
Se a atualização não for imediata, o paliativo real é desabilitar o recurso "output drive" (upload de arquivos para o servidor) no Server Manager, eliminando o caminho de exploração — ao custo de perder a funcionalidade de compartilhamento de arquivos via servidor para todos os usuários. Também vale revisar e restringir quem tem contas autenticadas com acesso ao Server Manager, já que a exploração exige uma sessão válida, e auditar a pasta de Startup do Windows do servidor por scripts não autorizados. Rotação de credenciais é recomendável dado o padrão de roubo de credenciais associado ao grupo que explorou esta falha.
Não há mitigação eficaz via WAF de borda: o Server Manager é uma aplicação de administração do próprio produto, não um endpoint HTTP genérico exposto a filtragem convencional — o controle compensatório real é reduzir superfície (desabilitar upload) ou restringir acesso de rede à interface de administração até a atualização ser aplicada.
Como detectar
Procurar por arquivos inesperados na pasta de inicialização do Windows do servidor Output Messenger, em especial scripts .vbs (o indicador documentado é OMServerService.vbs, mas o nome pode variar em outras campanhas). Nos logs do Server Manager, buscar requisições de upload cujo parâmetro de nome de arquivo contenha sequências ../ ou caminhos absolutos fora do diretório de upload padrão (OfflineMessages\Temp).
A Microsoft publicou queries de caça a ameaças para Microsoft Sentinel/Defender associadas a essa campanha; não há, porém, um indicador de rede único e confiável além do padrão de upload malformado — ambientes sem logging detalhado do Server Manager podem não ter visibilidade retroativa sobre exploração anterior ao patch, já que o uso como zero-day ocorreu meses antes da divulgação pública.