CVE-2025-43300
Priorize a correção. Ela está sob exploração confirmada pelo CISA e tem prova de conceito pública.
Apply mitigations per vendor instructions, follow applicable BOD 22-01 guidance for cloud services, or discontinue use of the product if mitigations are unavailable.
Resumo
Falha de escrita fora dos limites (out-of-bounds write) no framework ImageIO da Apple, explorável ao processar um arquivo de imagem malicioso — sem interação do usuário além de recebê-lo/visualizá-lo. A Apple confirma exploração real em ataques 'extremamente sofisticados' contra indivíduos específicos, e a CISA já incluiu a CVE no catálogo KEV. O CVSS 10.0 reflete corretamente o potencial (rede, sem privilégio, sem UI, comprometimento total), mas o uso documentado até agora é de espionagem direcionada, não exploração em massa.
Detalhamento técnico
A falha é um CWE-787 (out-of-bounds write) no ImageIO, o framework que a Apple usa para decodificar praticamente qualquer formato de imagem em iOS, iPadOS e macOS — chamado por Mensagens, Fotos, Safari, Mail, Preview e qualquer app que gere thumbnails. A Apple descreve apenas 'bounds checking' insuficiente corrigido com validação adicional, sem detalhar o parser afetado.
Análise independente publicada por um pesquisador (b1n4r1b01) aponta a origem no código de descompressão JPEG Lossless usado dentro do RawCamera.bundle para processar arquivos DNG (formato RAW da Adobe). O bug aparece ao manipular o campo SamplesPerPixel do diretório SubIFD de um DNG e reduzir a contagem de componentes do bloco SOF3 declarado no stream JPEG Lossless embutido — criando um descompasso entre o que o cabeçalho declara e o que o decoder efetivamente escreve no buffer, gerando a escrita fora dos limites. O pesquisador nota que nem todo DNG com essa compressão atinge o caminho vulnerável; foi necessária uma amostra específica para reproduzir. O RawCamera.bundle está sem símbolos de depuração, dificultando confirmação completa do primitivo de exploração.
Importante: essa é a reconstrução de um pesquisador terceiro a partir de engenharia reversa, não uma confirmação da Apple sobre qual parser exatamente falhou (a Apple só cita 'ImageIO' de forma genérica nos advisories).
Como é explorada
O vetor primário é entrega de um arquivo de imagem malicioso por qualquer canal que acione decodificação automática — AirDrop, anexo de Mensagens/iMessage, ou qualquer app que gere preview/thumbnail. Não há autenticação nem interação de UI necessária no sentido de 'clicar em algo'; o gatilho é o próprio processamento automático da imagem pelo sistema, o que caracteriza risco zero-click nesse contexto. A PoC pública demonstrada contra iOS 18.6.1 usa um arquivo DNG editado (dois bytes trocados em offsets específicos de uma amostra real de câmera) entregue via AirDrop; o autor confirma que o mesmo arquivo não reproduz a falha em iOS 18.6.2, corroborando que o patch fecha esse caminho.
A Apple classifica o uso observado como ataque 'extremamente sofisticado contra indivíduos específicos' — linguagem que a empresa reserva historicamente para campanhas de spyware comercial/mercenário contra jornalistas, ativistas e dissidentes, não para exploração oportunista em massa. A entrada no catálogo KEV da CISA confirma exploração ativa documentada, mas não implica campanha ampla.
Há uma issue pública no repositório de enriquecimento de dados da CISA (cisagov/vulnrichment #201) alegando, com base em um relatório de terceiro ('Glass Cage'), que esta CVE seria o ponto de entrada de uma cadeia zero-click via iMessage envolvendo decodificação HEIF/ASTC e culminando nas CVE-2025-24201 e CVE-2025-24085, e que o caminho de decodificação seria alcançado mesmo com o Modo de Isolamento (Lockdown Mode) ativo. Essa afirmação não foi confirmada pela Apple nem validada de forma independente até o momento em que a issue foi registrada — trate como hipótese não verificada, não como fato estabelecido.
Versões
Como se proteger
A única mitigação real é atualizar para as versões corrigidas listadas pela Apple. Não há flag de configuração, opção de desativar o ImageIO ou o RawCamera.bundle que preserve funcionalidade normal do dispositivo — é um componente central do sistema usado por toda a cadeia de renderização de imagem.
Como paliativo parcial em dispositivos que não podem ser atualizados imediatamente, reduzir superfícies de entrega automática de imagem (desativar AirDrop de 'Todos', restringir recebimento automático de mídia em Mensagens de contatos desconhecidos) diminui a chance de exposição, mas não elimina o risco — qualquer app que renderize a imagem aciona o parser vulnerável. O Modo de Isolamento (Lockdown Mode) da Apple é frequentemente citado como mitigação contra esse tipo de zero-click, mas o relatório não confirmado mencionado na seção de exploração afirma que o caminho de decodificação continuaria acessível mesmo com Lockdown Mode ativo nessa cadeia específica — não há confirmação oficial da Apple sobre essa bypass, então não deve ser tratado como garantia de proteção nem como falha comprovada.
Não funciona como mitigação: apenas reiniciar o dispositivo, remover apps de terceiros, ou soluções de MDM que não atualizem o SO — a falha está no framework do sistema, não em app de terceiro.
Como detectar
Não há assinatura de rede confiável, já que a exploração ocorre no processamento local de um arquivo de imagem entregue por canais legítimos (AirDrop, Mensagens, anexos). Em nível de dispositivo, crash logs referenciando ImageIO ou RawCamera.bundle, ou travamentos do processo de renderização de thumbnails/preview coincidindo com o recebimento de um arquivo de imagem ou DNG suspeito, são o sinal mais próximo disponível — mas exigem acesso a logs do dispositivo e análise forense, algo fora do alcance de detecção perimetral tradicional. Dado o perfil de uso relatado (espionagem direcionada), ferramentas de análise forense móvel voltadas a indicadores de spyware comercial são o caminho mais realista para identificar comprometimento retroativo, não monitoramento de tráfego.