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CVE-2025-48927mediumsob ataqueCWE-1188

CVE-2025-48927

43Vexday Risk Score

Priorize a correção. Ela está sob exploração confirmada pelo CISA.

ssvc Attendcvss 5.3epss 8.7%
da publicação à arma
Publicada no NVD28 de mai.
CISA KEV+34d
probabilidade de exploração
8.7%top 5% das CVEs
exploração observada
simCISA + VulnCheck
Ação exigida pela CISAprazo federal: 2025-07-22

Apply mitigations per vendor instructions, follow applicable BOD 22-01 guidance for cloud services, or discontinue use of the product if mitigations are unavailable.

Resumo

O serviço TeleMessage (TM SGNL, um clone do Signal usado por funcionários do governo dos EUA e empresas como a Coinbase) expunha publicamente o endpoint /heapdump do Spring Boot Actuator em seu servidor de arquivamento (archive.telemessage.com), sem autenticação. Qualquer pessoa que acessasse essa URL baixava um dump de memória de ~150 MB contendo credenciais, chaves de criptografia e mensagens em texto claro. O CVSS de 5,3 (apenas confidencialidade baixa) subestima grosseiramente o impacto real: nesse caso específico, o vazamento incluiu senhas de clientes governamentais e corporativos e conversas supostamente 'criptografadas de ponta a ponta'.

Detalhamento técnico

A falha é classificada como CWE-1188 (Initialization of a Resource with an Insecure Default). O Spring Boot Actuator é um conjunto de endpoints de monitoramento e debug que o framework expõe opcionalmente. Até a versão 1.5 do Actuator (2017), o endpoint /heapdump vinha habilitado e acessível sem autenticação por padrão; versões posteriores mudaram o padrão para expor apenas /health e /info sem autenticação. O problema não está em um bug de código, mas em configuração: alguém deixou o /heapdump ativo e público no servidor de arquivamento da TeleMessage, provavelmente um resquício de ambiente de teste/diagnóstico que migrou para produção sem revisão.

O endpoint retorna um heap dump — uma fotografia completa da memória da aplicação Java no momento da requisição. Como o servidor de arquivamento processa e repassa mensagens do TM SGNL para o destino final do cliente, essa memória continha os corpos das requisições HTTP em trânsito: nomes de usuário, senhas, chaves de criptografia e o conteúdo de mensagens de chat não criptografadas. Isso contradiz o material de marketing da TeleMessage, que afirmava criptografia de ponta a ponta do celular até o arquivo corporativo — a análise do código-fonte mostrou que as mensagens chegavam sem criptografia ao servidor de arquivamento antes de serem repassadas.

Agravantes reportados no mesmo incidente (não fazem parte desta CVE, mas compõem o cenário): o painel administrativo em secure.telemessage.com fazia hash MD5 das senhas no lado do cliente, o que anula o propósito do hashing, e a aplicação usava JSP, tecnologia datada, sinalizando maturidade de segurança baixa no stack como um todo.

Como é explorada

O vetor é trivial: uma requisição GET não autenticada à URL /heapdump em um host acessível pela internet. Não há necessidade de autenticação, engenharia social, ou condição de rede especial — basta o endpoint estar exposto publicamente, o que caracteriza uma falha de configuração, não de lógica de aplicação. Complexidade de ataque: baixa. O pesquisador que relatou o caso à WIRED usou feroxbuster (ferramenta de descoberta de caminhos web) contra os domínios da TeleMessage e localizou o endpoint em archive.telemessage.com em poucos minutos.

Após baixar o dump (~150 MB), o atacante buscou a string 'password' no arquivo binário e extraiu credenciais de usuários em texto claro. Com um par de credenciais, conseguiu autenticar em secure.telemessage.com e acessar a conta de um cliente associado ao U.S. Customs and Border Protection (CBP), além de localizar logs de chat internos da Coinbase. Todo o processo, do reconhecimento inicial ao comprometimento de contas reais, levou entre 15 e 20 minutos segundo o próprio autor do ataque.

A exploração está confirmada como ativa (catálogo KEV da CISA, adicionada em 2025-07-01) e documentada publicamente por WIRED/404 Media em maio de 2025. Não há indício de que a exploração exigisse qualquer conhecimento privilegiado além de reconhecimento de URLs — o único 'segredo' era saber que o endpoint existia, algo que ferramentas de enumeração de diretórios revelam rapidamente.

Versões

Afetadas
Não há versionamento de software publicado pelo fornecedor nas fontes disponíveis. A CVE e o KEV descrevem o problema como presente no serviço TeleMessage TM SGNL 'até 2025-05-05' (data, não número de versão) — a configuração vulnerável do Spring Boot Actuator estava ativa no servidor de arquivamento (archive.telemessage.com) até essa data.
Corrigidas em
Não apurado. Não há advisory oficial do fornecedor com número de versão corrigida disponível nas fontes consultadas; a TeleMessage suspendeu os serviços após o incidente em vez de divulgar publicamente uma correção versionada.

Como se proteger

Não há advisory oficial do fornecedor disponível nas fontes consultadas — TeleMessage e sua controladora Smarsh não responderam a pedidos de comentário da imprensa, e a empresa suspendeu temporariamente todos os serviços após o incidente. Não é possível apurar aqui uma versão corrigida específica publicada pelo fornecedor; a CISA orienta aplicar mitigações conforme instrução do fornecedor ou, na ausência delas, descontinuar o uso do produto.

Como controle geral para qualquer aplicação Spring Boot: os endpoints do Actuator (heapdump, env, mappings, etc.) nunca devem ser expostos sem autenticação em produção — apenas /health e /info são considerados de baixo risco para exposição pública. A mitigação correta é desabilitar o endpoint (management.endpoint.heapdump.enabled=false) ou restringi-lo a interfaces de gerenciamento internas, com autenticação e controle de rede (management.endpoints.web.exposure.include limitado, ou porta de management separada da porta da aplicação). Isso é configuração de framework, não patch de CVE — não existe 'versão corrigida' para o comportamento padrão do Actuator, exposição incorreta é responsabilidade de quem faz o deploy.

O que não funciona: assumir que a criptografia de ponta a ponta anunciada pelo fornecedor protege o conteúdo das mensagens é um mito específico deste caso — a análise de código mostrou que as mensagens passavam em texto claro pelo servidor de arquivamento antes de qualquer processamento. Nenhum WAF resolve isso se o endpoint sensível continuar habilitado; a única mitigação real é configuração correta do Actuator ou remoção do serviço, como recomendou a própria CISA.

Como detectar

Em logs de servidor web, procure por requisições GET a caminhos terminados em /heapdump ou /actuator/heapdump, especialmente vindas de IPs não corporativos ou ferramentas de enumeração (user-agents de feroxbuster, dirb, gobuster, ou varreduras sequenciais de caminhos). Uma resposta bem-sucedida a essa URL gera uma transferência de dados atipicamente grande (dezenas a centenas de MB) em uma única requisição, o que deve destacar-se em métricas de volume de tráfego de saída.

Não há assinatura confiável para diferenciar reconhecimento malicioso de tráfego legítimo de monitoramento interno além da origem da requisição e da ausência de autenticação — se o endpoint estava exposto sem controle de acesso, qualquer acesso ao /heapdump por origem externa à rede de gerenciamento deve ser tratado como incidente, já que não há uso legítimo desse endpoint por usuários finais ou clientes.

Pesquisado e redigido com IA a partir do advisory do fornecedor e de análises públicas, com as fontes acima. Confira sempre a versão corrigida no advisory oficial antes de agir.
The TeleMessage service through 2025-05-05 configures Spring Boot Actuator with an exposed heap dump endpoint at a /heapdump URI, as exploited in the wild in May 2025.
CVSS:3.1/AV:N/AC:L/PR:N/UI:N/S:U/C:L/I:N/A:N
Produtos afetados
TeleMessage · service